terça-feira, 21 de setembro de 2010

A gênese do Serviço Social no Ceará

A Escola de Serviço Social cearense tem sua gênese no ano de 1950. (...) Surge com a proposta clara de atender aos interesses da burguesia local e do Estado e estava diretamente vinculada à Igreja Católica (o que não poderia ser diferente para a época).
Como no restante do Brasil, a Escola de Serviço Social aqui, no Ceará, surge diretamente ligada à Igreja Católica e fortemente marcada pelo Movimento Laico. Os membros fundadores da Escola são: Maria Áurea Bessa (Freira e Presidente da Juventude Feminina Católica Cearense), Norma Cabral e Nair Studart participantes de grupos da Ação Católica local.
Nessa época, a Igreja Católica (não apenas no Ceará, mas no mundo inteiro) passava por transformações internas que afetaram sobremaneira sua relação com os demais setores da sociedade. Os movimentos católicos que congregavam a juventude e se denominavam através de siglas como JUC, JIC, AP, ACO e outros, eram eminentemente compostos pela classe média, movidos pela capacidade de aprofundar a análise sobre o sistema capitalista, adotando um discurso libertário e não mais desenvolvimentista.
A Escola de Serviço Social de Fortaleza se instalou em um prédio pertencente à Arquidiocese, localizada à Avenida Barão de Studart, 1685, no bairro da Aldeota, no dia 25 de março de 1950.
Segundo depoimento de D. Áurea Bessa, concedido a Professora Neíse Távora, em 1987, a escolha da data para a inauguração da Escola de Serviço Social se deveu a dois fatos, como comemoração da Abolição dos Escravos no Ceará e em homenagem à Festa da Anunciação (data muito importante para a Igreja Católica).
Vale ressaltar que, o Curso de Serviço Social foi inserido no Instituto Social juntamente com o curso de Educação Familiar. Tal Instituto era mantido pela Associação de Educação Familiar e Social – cujo presidente era o Arcebispo de Fortaleza, Dom Antônio de Almeida Lustosa. Na primeira turma se matricularam no curso de Serviço Social 42 alunas e 26 alunas no curso de Educação Familiar.
O arcabouço teórico que norteou as primeiras turmas de Serviço Social abrangia disciplinas relacionadas à Sociologia, Psicologia, Higiene, Enfermagem, Puericultura, Direito, Moral, Patologia Social e Doutrina Social da Igreja. Não havia a disciplina de Filosofia e as disciplinas referentes ao Serviço Social diziam respeito apenas à Introdução.
De acordo com a Professora Carmencita, que foi aluna do curso de Serviço Social na sua primeira década de existência aqui no Ceará, não era necessário ter concluído o segundo grau, ou científico na época, para ingressar na Escola. É tanto que, na primeira turma que se formou aqui no Estado algumas alunas tinham concluído apenas a quarta série ginasial (o que corresponde hoje a nona série do ensino fundamental dois).
Somente após o curso ser agregado à Universidade do Ceará (hoje Universidade Federal do Ceará) e ter reconhecimento de nível superior foi que passou-se a exigir como critério de aprovação, além da seleção, a conclusão do Ensino Médio ou Científico.
Após terminarem o curso de Serviço Social, as ex-alunas passavam por uma espécie de estágio na fundação Antônio Dias Macêdo e eram colocadas à disposição da Paróquia Nossa Senhora das Graças, que mantinha o Centro Social Paroquial Lar de Todos localizado no bairro Pirambu.
Com base no depoimento da Professora Carmencita, é possível comprovar a real ligação do Serviço Social com a Igreja Católica no seio da sociedade cearense. O fato de uma das fundadoras, a senhora Maria Áurea Bessa (que foi diretora da Escola) ser freira representa o poderio da Igreja Católica face às manifestações da questão social.
O currículo mínimo das primeiras turmas da Escola de Serviço Social obedecia a um critério positivista que sectarizava e atomizava a totalidade social. Disciplinas como Sociologia, Medicina, Direito, entre outras, geravam uma compreensão da sociedade como algo estático, em que se podia atuar tratando, por assim dizer, as anormalidades que assolavam a ordem social perfeita. Portanto, o assistente social era uma espécie de patologista social (e existia a disciplina Patologia, como se pode conferir no Anexo 1) que atuava como um técnico do tratamento da questão social.
Esse tecnicismo foi o que começou a ser questionado pelo Serviço Social ao longo da década de 1960. A aproximação com as classes trabalhadoras e a insatisfação com os resultados obtidos através da intervenção individual e grupal fizeram com que a tradicionalidade da profissão começasse a sofrer desgastes.

(Trecho extraído do meu TCC: Serviço Social no Ceará: Uma breve análise do Movimento de Reconceituação.)

domingo, 27 de setembro de 2009

Contagem regressiva para os 60 anos do Serviço Social no Ceará.

No dia 25 de março de 2010, o Ceará irá celebrar os 60 anos da fundação da Escola de Serviço Social. A comissão de formatura da turma de Serviço Social da Uece de 2009.2 está organizando vários eventos que irão comemorar com júbilo essa data tão importante. Reconhecer a importância de um evento como esse é dar espaço para que se destine ao curso de Serviço Social as honras que ele merece.